
Paulo Portas diz que "já não resta nada do programa eleitoral do PS" e, a prova disso, está no esboço do Programa de Estabilidade e Crescimento que o Governo apresentou aos portugueses. No dia em que Teixeira dos Santos entrega no Parlamento o documento final, Portas pede a PS e PSD que se unam ao CDS para criarem limites máximos para o endividamento do Estado, despesa pública, e carga fiscal. Depois de ter entregue na sexta-feira 12 propostas de alteração ao PEC, o recuo na redução das deduções fiscais na saúde e educação é uma condição essencial para que o CDS viabilize o projecto. Mas o que faz "mais confusão", diz o líder do CDS, é que o "PEC não tem economia. Só tem declínio".
A líder do PSD já indicou que vai viabilizar o PEC. O sentido de voto do CDS perdeu utilidade?
Tenho o maior respeito pela posição de Ferreira Leite. Acho é que o cenário de crescimento que está no PEC é medíocre, não gera emprego nem confiança.
Ao contrário da discussão do OE o CDS perdeu espaço de negociação?
Temos propostas inovadoras. O que mais confusão faz no PEC é a ausência de uma económica. Só tem declínio e não tem uma única palavra sobre o acesso das empresas ao crédito, à poupança, sobre os sectores produtivos e os fundos comunitários.
É sensível ao pedido do Presidente para que haja um entendimento alargado na aprovação do PEC?
Espero que o Governo tenha a humildade para acolher as propostas do CDS.
O primeiro-ministro garante que não há aumento de impostos com o PEC. Discorda da abordagem?
Não é opinião, são factos. Cortar as deduções no IRS com saúde e educação (bens essenciais) para quem ganha por ano entre 7.500 euros e 17.000 euros tem duas consequências: a classe média paga mais e perde poder de compra.
E se não estivéssemos a falar de bens essenciais, o que diria o CDS?
O Governo está a fazer um esfolamento fiscal do contribuinte que é contraditório com o objectivo do PEC. A sociedade sabe que há dificuldades e que vai haver restrições mas é preciso que não se minta às pessoas e que se lhes explique para que servem as restrições.
Concorda com um aumento de impostos para quem recebe mais de 150 mil euros ano?
Quem mais tem deve ser mais sacrificado. O que impressiona é o esforço fiscal que já é pedido aos portugueses. Temos um IRS com oito escalões, o que não acontece em mais nenhum país da UE: na República Checa e na Letónia existe um escalão, na Hungria e Irlanda dois, a Suécia e o Reino Unido têm três, a Áustria e Espanha quatro, a Holanda cinco.
http://www.cds.pt/rubricas.aspx?id_rubrica=2946&id_seccao=45

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